Quantas pessoas vivem em países com menos de 2,1 filhos por mulher?

Em 2023, 67,1% das pessoas viviam num país com taxa de fecundidade abaixo de 2,1 filhos por mulher, mais ou menos o nível em que cada geração repõe a anterior. Em 1960 eram 3,9%. A maior parte dessa alta veio em dois anos : 1991, quando a China cruzou a linha, e 2020, quando foi a vez da Índia.

Ciência e saúde · 2026-10-13

O que está sendo contado

A taxa usada é a taxa de fecundidade total do Banco Mundial. Ela indica quantos filhos uma mulher teria se, em cada idade da vida fértil, tivesse filhos no mesmo ritmo que as mulheres dessa idade tiveram naquele ano. Retrata um único ano, e não quantos filhos as famílias acabam tendo.

A ONU trata 2,1 como o "nível de reposição" aproximado nas populações em que poucas crianças morrem cedo. Onde mais crianças morrem antes de chegar à idade adulta, a reposição exige mais nascimentos. Por isso 2,1 é uma linha de referência, e não um limite exato que valha para todos os países.

A porcentagem, que este texto chama de contador, é um cálculo da própria Polora, e não um número do Banco Mundial nem da ONU. Para cada ano, pegamos todos os países e economias que tinham tanto a taxa de fecundidade quanto o número de habitantes, somamos a população dos que estavam abaixo de 2,1 e dividimos pela população de todos eles. Em 2023 foram 217 países e economias, onde vivia 99,7% da população mundial segundo o Banco Mundial.

Por que a parcela abaixo de 2,1 dá saltos de um ano para o outro

O contador pesa os países pelo número de pessoas, não pelo tamanho no mapa. Os Estados Unidos ficaram abaixo de 2,1 em 1972, e Reino Unido, França, Itália e Espanha vieram em seguida, entre 1973 e 1981. Em 1990 havia 54 países e economias abaixo da linha, entre eles Canadá, Japão e Rússia. Era uma boa parte do mapa, mas só 23,4% das pessoas contadas.

Então a taxa da China passou de 2,51 em 1990 para 1,93 em 1991. A China tinha 21,4% das pessoas contadas, e o contador saltou de 23,4% para 44,7% em um ano. O mundo não passou de repente a ter muito menos filhos : a taxa mundial do Banco Mundial caiu apenas de 3,31 para 3,13. O que aconteceu foi que um país com um quinto das pessoas passou para o outro lado da linha.

O Brasil cruzou a linha em 2002 e o México em 2016, mas em 2019 os 110 países e economias abaixo de 2,1 ainda somavam menos da metade das pessoas contadas (48,6%). Em 2020 a taxa da Índia caiu de 2,12 para 2,05. A Índia tinha 17,9% das pessoas contadas, e Filipinas, Tunísia e Belize cruzaram no mesmo ano. Sobretudo por causa da Índia, o contador foi de 48,6% para 67,7%.

Em 2023 os dois gigantes já estavam longe um do outro. A China estava em 1,00 ; entre os países com mais de 50 milhões de habitantes, só a Coreia do Sul (0,72) tinha taxa menor. A Índia estava em 1,98, ainda perto da linha.

A parcela saltou quando a China cruzou, e de novo com a Índia · Parcela das pessoas contadas em países com fecundidade abaixo de 2,1, em %, no ano anterior e no ano da passagem · Ano anterior · Ano da passagem · 1991 : a China cruza · 2020 : a Índia cruza · 23.4% · 48.6% · 44.7% · 67.7% · Cálculo da
Parcela das pessoas contadas em países com fecundidade abaixo de 2,1, em %, no ano anterior e no ano da passagem

Por que a parcela abaixo de 2,1 às vezes cai

Países perto da linha podem voltar a ficar acima dela, e quando um país grande faz isso, o contador cai.

Japão, anos 1960 : a taxa oscilou em torno de 2,1 e ficou acima da linha em 1965 (o contador caiu de 5,6% para 2,8%) e de novo de 1967 a 1973. De 1974 até 2023, ficou sempre abaixo.

Rússia, anos 1980 : voltou a ficar acima em 1983 e de 1986 a 1988. Em 1986 Ucrânia, Letônia e Lituânia também voltaram a ficar acima, e juntos esses países explicam a maior parte da queda do contador de 22,6% para 18,2%.

Estados Unidos, 2006 e 2007 : voltaram a 2,1 ou mais (2,12 em 2007). Essa volta, em 2006, explica a maior parte da queda do contador de 46,9% em 2005 para 42,2% em 2006. De 2008 até 2023, ficaram sempre abaixo, chegando a 1,62.

Quando um país grande voltou acima de 2,1, a parcela caiu · Parcela das pessoas contadas em países com fecundidade abaixo de 2,1, em %, no ano anterior e no ano da volta · Ano anterior · Ano da volta · 1965 : Japão volta acima · 1986 : Rússia, Ucrânia, Letônia, Lituânia · 2006 : EUA voltam acima · 5
Parcela das pessoas contadas em países com fecundidade abaixo de 2,1, em %, no ano anterior e no ano da volta

Dois terços abaixo da linha, mas o mundo ainda em 2,2

A taxa mundial do Banco Mundial caiu de 4,7 em 1960 para 2,2 em 2023 : ainda acima de 2,1, embora dois terços das pessoas vivam em países abaixo dessa marca.

Os dois números medem coisas diferentes. O contador só registra de que lado da linha cada país está : 1,0 conta o mesmo que 2,0, e 6 o mesmo que 2,2. Já a taxa mundial depende de quão alta ou baixa é a taxa de cada país.

Em 2023, 100 dos 217 países e economias ainda estavam em 2,1 ou mais, 46 deles na África subsaariana, onde só 2 de 48 estavam abaixo. A Nigéria estava em 4,48 e o Paquistão em cerca de 3,6. Os 26 países com taxa de 4 ou mais somavam 11,3% das pessoas contadas.

A taxa mundial ainda está acima de 2,1, embora dois terços vivam abaixo · Taxa de fecundidade total do mundo (Banco Mundial), filhos por mulher, 1960 e 2023 · 1960 · 4.7 · filhos por mulher · 2023 · 2.2 · Para a ONU, 2,1 é a reposição aproximada onde poucas crianças morrem cedo. As taxas são estimat
Taxa de fecundidade total do mundo (Banco Mundial), filhos por mulher, 1960 e 2023

Abaixo de 2,1 ainda não quer dizer encolher

Uma população não começa necessariamente a encolher quando sua taxa fica abaixo de 2,1. A ONU chama o motivo de inércia demográfica : onde o crescimento passado deixou muitos jovens, o número de mulheres em idade fértil continua subindo durante anos. Vidas mais longas e a imigração também podem manter a população crescendo. Mas, segundo a ONU, se a fecundidade se mantiver abaixo do nível de reposição e não houver migração, cada geração acaba menor que a anterior. O relatório da ONU de 2024 cita China, Alemanha, Japão e Rússia entre os países cuja população já atingiu o pico.

Os limites destes números

São estimativas. O Banco Mundial tira essas taxas das Perspectivas da População Mundial da ONU, de institutos nacionais de estatística e do Eurostat, o órgão de estatística da União Europeia. Algumas são estimativas feitas por modelos e passam por revisões ; uma passagem tão rente à linha quanto a da Índia pode mudar. O texto para em 2023 porque a edição de 2024 da ONU trata os anos seguintes como projeções.

São taxas de um ano. Quando as mulheres passam a ter filhos mais tarde, a taxa anual pode cair mais do que o número de filhos que elas acabam tendo. Os demógrafos chamam isso de efeito tempo.

É uma linha rígida. Um país em 2,09 e outro em 2,11 ficam em lados opostos, e a população inteira de cada país muda de lado junto com ele. O contador mostra onde as pessoas vivem, não a velocidade com que a fecundidade cai.

O mapa usa as fronteiras atuais em todos os anos. Lugares sem número do Banco Mundial, como Taiwan, aparecem em cinza.

Quantas pessoas vivem em países com menos de 2,1 filhos por mulher?Quantos vivem onde a fecundidade é menor que 2,1? Em 2023, dois terçosA maior parte da alta veio em dois anos. · Em 1991 a China cruzou a linha, e a parcela foi de 23,4% para 44,7%. Em 2020, com a Índia, subiu de 48,6% para 67,7%.A parcela abaixo de 2,1 pesa os países por pessoas, não por área. · Em 1990, 54 países e economias estavam abaixo de 2,1, mas tinham só 23,4% das pessoas contadas. A China sozinha tinha 21,4%.1960 · 4.7 · filhos por mulher · 2023 · 2.2 · filhos por mulher · A taxa mundial ainda está acima de 2,1, embora dois terços vivam abaixo · Taxa de fecundidade total do mundo (Banco Mundial), filhos por mulher, 1960 e 2023 · Para a ONU, 2,1 é a reposição aproximada onde poucas crianças morrem cedo.Os dois terços só registram de que lado de 2,1 cada país está. · 1,0 conta o mesmo que 2,0, e 6 o mesmo que 2,2. A taxa mundial depende de quão alta ou baixa é cada taxa. A Nigéria estava em 4,48 em 2023.Abaixo de 2,1 ainda não quer dizer encolher. · Onde o crescimento passado deixou muitos jovens, o número de mulheres em idade fértil sobe durante anos, diz a ONU. Seu relatório de 2024 cita China, Alemanha, Japão e Rússia entre os países cuja população já atingiu o pico.Fontes 6 : data.worldbank.org · World Bank, Fertility rate, total (births per woman), SP.DYN.TFRT.IN (CC BY 4.0), data.worldbank.org · World Bank, Population, total, SP.POP.TOTL (CC BY 4.0), api.worldbank.org · World Bank country list, used to leave out regional totals + 3Leia na íntegra em · polora.ai