De seis em cada dez dias para um em cada quatro
Em maio de 2020, primeiro mês da Survey of Working Arrangements and Attitudes, uma pesquisa mensal sobre como e onde as pessoas trabalham, 62% dos dias inteiros de trabalho remunerado nos Estados Unidos foram cumpridos em casa. Os economistas que conduzem a pesquisa, Jose Maria Barrero, Nicholas Bloom e Steven J. Davis, estimam que em 2019 esse número era de cerca de 7%.
A maior parte da queda veio rápido. Em dezembro de 2021, a fatia era de 33%, um terço dos dias de trabalho. Em 19 meses, ela tinha percorrido pouco mais da metade do caminho de volta ao nível de 2019.
Depois, a queda perdeu força. Tirando a média dos números mensais de cada ano, chega-se a 30,4% em 2022, 28,8% em 2023, 27,6% em 2024 e 27,1% em 2025. Nos primeiros nove meses de 2026, a média foi de 25,9%. Uma linha reta ajustada a todos os meses desde janeiro de 2022 cai 1,1 ponto percentual por ano. Em todo esse período, nenhum mês ficou abaixo de 24,5% nem acima de 32,6%.
Nem todo mês registra queda. O ponto mais baixo desde 2022 foi em janeiro de 2026, com 24,5%, e depois a fatia subiu até 26,8% em setembro. O declínio lento descreve a tendência de quase cinco anos, não cada mês isoladamente.

O que o número conta
A pesquisa mede dias, não pessoas. Ela pergunta a trabalhadores americanos de 20 a 64 anos que ganharam pelo menos US$ 10.000 no ano anterior como trabalharam, e reajusta o peso das respostas por idade, sexo, escolaridade e renda para que o grupo se pareça com o retratado pela principal pesquisa oficial de emprego do governo americano, a Current Population Survey. O número é a parcela de todos os dias inteiros de trabalho remunerado dessas pessoas que foi cumprida em casa. Quem trabalha no modelo híbrido e passa dois dias por semana em casa conta como dois dias em casa e três no local de trabalho.
A mesma pesquisa também conta pessoas, mas só entre empregados assalariados em tempo integral, com os mesmos limites de idade e renda. Na média de janeiro a setembro de 2026, cerca de 62% deles tinham trabalhado só presencialmente na semana anterior à pesquisa, 26% estavam no modelo híbrido e 12% tinham trabalhado apenas de casa. Entre esses trabalhadores em tempo integral, portanto, todo dia de trabalho em casa vem dos cerca de quatro em cada dez que são híbridos ou totalmente remotos. Os números de um único mês oscilam bastante, por isso os citados aqui são a média de 2026. Como essa contagem cobre um grupo mais restrito que a fatia de dias citada acima, um número não pode ser convertido no outro.

Depois das ordens de volta ao escritório, a fatia nacional quase não se mexeu
Janeiro de 2025 trouxe dois grandes empurrões de volta ao escritório : a regra da Amazon de cinco dias presenciais estava para começar, e a Casa Branca mandou as agências federais retomarem o trabalho presencial. Numa mensagem aos funcionários meses antes, o presidente-executivo da Amazon, Andy Jassy, disse que a empresa voltaria "a estar no escritório como estávamos antes do início da COVID", cinco dias por semana, a partir de 2 de janeiro de 2025. A mensagem lembrava que a Amazon já vinha trabalhando no escritório pelo menos três dias por semana havia 15 meses e mantinha exceções para emergências e para acordos de trabalho remoto aprovados. Em 20 de janeiro de 2025, um memorando presidencial determinou que as agências federais acabassem com o trabalho remoto e trouxessem os servidores de volta em tempo integral "assim que for viável", com as exceções que seus dirigentes considerassem necessárias.
A fatia nacional quase não mudou : a média de 2025, de 27,1%, ficou meio ponto abaixo da de 2024. Isso não mostra que as ordens fracassaram. As duas previam exceções, a pesquisa não consegue mostrar até que ponto foram cumpridas, e uma média nacional não consegue separar o efeito delas de tudo o mais que estava acontecendo. Mostra apenas que, no país como um todo, o declínio lento continuou.

Até que ponto dá para confiar nesse número
A série mensal vem de uma única pesquisa, feita pela mesma equipe todo mês, e não tem ajuste sazonal, ou seja, não desconta as variações típicas de cada época do ano. Dois meses foram preenchidos pelos próprios autores : junho de 2020, quando não houve pesquisa, e setembro de 2023, cujos dados tiveram problemas de qualidade. Cada um é a média do mês anterior e do seguinte.
A comparação com 2019 é o elo mais fraco. A pesquisa começou em 2020, então o número de 2019, 7,2%, é uma estimativa dos próprios autores feita a partir de outra pesquisa, a American Time Use Survey, que mede como os americanos usam seu tempo. Por isso "quase quatro vezes" (26,8% contra os 7,15% da estimativa, uma razão de 3,75) é uma comparação aproximada, não exata. Ainda assim, a diferença é grande o bastante para que a conclusão não dependa das casas decimais : por essa medida, o trabalho em casa continua bem acima do que era antes da pandemia.
Em 2021, os autores da pesquisa deram a um de seus estudos o título "Why working from home will stick", algo como "Por que o trabalho em casa veio para ficar". Cinco anos depois, os próprios números deles mostram uma fatia menor que a de 2021, mas que parou de cair depressa.

- [Work from Home Rate (WFHCOVIDMATQUESTION), FRED, Federal Reserve Bank of St. Louis]
- [All Full-Time Wage and Salary Workers: Working Fully Remote (FULLREMOTECURR), FRED]
- [Survey of Working Arrangements and Attitudes, WFH Research]
- [Message from CEO Andy Jassy: Strengthening our culture and teams, Amazon]
- [Return to In-Person Work, The White House]







![Fontes 5 : fred.stlouisfed.org · [Work from Home Rate (WFHCOVIDMATQUESTION), FRED, Federal Reserve Bank of St. Louis], fred.stlouisfed.org · [All Full-Time Wage and Salary Workers: Working Fully Remote (FULLREMOTECURR), FRED], wfhresearch.com · [Survey of Working Arrangements and Attitudes, WFH Rese](https://media.cdn.polora.ai/picks/2026/10/pickrun_99fa5d5ebf7d47ad/dbBEi-zCLQ0AVWg3-slide-07--o-home-office-voltou.jpg)
