Como as companhias aéreas ganham dinheiro com milhas? O caso da Delta

Vendendo milhas a um banco. A American Express pagou à Delta US$ 8,2 bilhões em 2025, sobretudo pelas milhas que dá a quem usa o cartão. Todo o lucro operacional da Delta naquele ano, voos incluídos, foi de US$ 5,8 bilhões. As passagens ainda trazem a maior parte da receita, mas é nas milhas que o dinheiro fica.

Negócios e economia · 2026-10-03

As passagens ainda pagam a maior parte das contas

Comecemos pelo básico. Pense na Delta, a companhia aérea americana cujo acordo de cartão de crédito é o mais observado do setor. Em 2025 ela vendeu US$ 45,5 bilhões em passagens, somando classe econômica e assentos premium. Isso equivale a cerca de 78% dos US$ 58,3 bilhões que a própria Delta informa como receita ajustada, um número que deixa de fora o combustível vendido por uma refinaria de petróleo que pertence à empresa. Voar continua sendo o negócio.

Agora, o número que abala essa conclusão. No mesmo ano, um único banco, a American Express, pagou à Delta US$ 8,2 bilhões, 11% a mais que no ano anterior. Isso equivale a cerca de 14% da receita ajustada, ou a cerca de 13% dos US$ 63,4 bilhões que a Delta informa antes de excluir a refinaria. E corresponde a cerca de 1,4 vez o lucro operacional inteiro da Delta, os US$ 5,8 bilhões que sobraram depois de a empresa pagar combustível, funcionários, aviões e tudo o mais que é preciso para voar. A Delta diz esperar que os pagamentos do banco cheguem a US$ 10 bilhões nos próximos anos. Essa é uma expectativa da Delta, não um valor garantido pelo contrato.

A Amex pagou à Delta mais que todo o lucro operacional da empresa · Delta, 2025, em bilhões de US$ · Receita ajustada · Passagens · Pagamentos da Amex · Lucro operacional · 58,3 · 45,5 · 8,2 · 5,8 · Receita e pagamentos são dinheiro que entra. Lucro operacional é o que sobra após todos os custos.
Delta, 2025, em bilhões de US$

Como o dinheiro do cartão pode ser maior que todo o lucro?

Os dois números medem coisas diferentes. Os US$ 8,2 bilhões são dinheiro que entra. Os US$ 5,8 bilhões são o que resta depois de pagar todos os custos. Comparar um com o outro mostra o tamanho dos pagamentos do banco diante da margem da Delta. Não mostra que os aviões dão prejuízo, e a Delta não divulga um lucro separado para o acordo do cartão, então ninguém de fora da empresa consegue dizer exatamente quanto dos US$ 5,8 bilhões vem do cartão.

Parte da surpresa vem simplesmente da margem estreita das companhias aéreas. A Delta ficou com cerca de 10 centavos de lucro operacional a cada dólar de receita ajustada, por isso quase qualquer grande entrada de dinheiro parece enorme diante do que sobra no fim.

Há um segundo motivo para cautela. O relatório da Delta descreve os US$ 8,2 bilhões como remuneração paga pela American Express, e nem tudo isso conta como receita de 2025. Uma parte paga milhas que ainda não foram usadas, e a Delta só registra essa parte quando as milhas são trocadas por um voo. No fim de 2025, a Delta mantinha US$ 9,3 bilhões em receita ainda não reconhecida do SkyMiles, seu programa de fidelidade, isto é, dinheiro já recebido por milhas que ainda não viraram viagem. Esse valor cobre todas as milhas ainda não usadas, inclusive as ganhas voando ou por meio de outros parceiros, e não só as que o banco comprou. O relatório da Delta também informa US$ 8,0 bilhões em dinheiro recebido com a venda de milhas a todos os seus parceiros comerciais, uma medida definida de forma diferente dos US$ 8,2 bilhões, e não mostra como as duas se encaixam.

A conclusão justa, então, é esta. O cartão não é maior que a atividade de voar. Ele é grande diante da margem estreita da Delta, embora não seja possível medir, de fora da empresa, quanto do lucro depende dele.

O que o banco está comprando, afinal?

Principalmente milhas. Quando alguém paga com um cartão Delta da American Express, as milhas que caem na sua conta foram compradas da Delta pelo banco. O relatório anual da Delta chama esse acordo de seu contrato mais importante de venda de milhas. A American Express também compra milhas para oferecer no seu próprio programa de recompensas, em que os clientes podem converter pontos em milhas da Delta.

O banco paga por mais do que milhas. Segundo o relatório da Delta, o acordo também cobre bagagem despachada gratuita, acesso a salas VIP e embarque prioritário para quem tem o cartão, ações de marketing conjuntas e a permissão para a American Express oferecer produtos à lista de clientes da Delta. Uma parte é o direito de usar o nome Delta. A empresa calcula o valor dessa parte estimando os royalties que sua marca renderia, do mesmo jeito que uma grife recebe para pôr seu nome no produto de outra empresa.

O banco compra sobretudo milhas, mas não só · O que a American Express paga à Delta, segundo o relatório anual da Delta · Pagamentos da Amex à Delta · Milhas para titulares · Milhas para recompensas Amex · Benefícios do cartão · Marketing conjunto · Lista de clientes · O nome Delta · Milhas que caem
O que a American Express paga à Delta, segundo o relatório anual da Delta

Por que um banco pagaria tanto por milhas?

Porque os cartões trazem muito negócio para o banco. O próprio relatório anual da American Express diz que os cartões Delta responderam por cerca de 13% de todos os gastos nos cartões que ela emite no mundo em 2025, e por cerca de 21% do dinheiro que seus clientes lhe deviam no fim daquele ano. Os dois números não são medidos da mesma forma, já que um é o gasto de um ano inteiro e o outro é um saldo num único dia, então sozinhos eles não mostram que quem tem cartão Delta pega mais dinheiro emprestado que os outros clientes. O que o banco ganha com os cartões inclui juros, além de anuidades e uma fatia de cada compra.

Gary Leff, autor do blog de viagens View from the Wing, fez as contas a partir desses relatórios. A American Express informou um gasto total de cerca de US$ 1.670 bilhões nos seus cartões em 2025, então 13% disso dá cerca de US$ 217 bilhões gastos em cartões Delta. Dividindo os US$ 8,2 bilhões por esse valor, chega-se a cerca de US$ 38 pagos pelo banco à Delta a cada US$ 1.000 gastos pelos clientes. Essa é uma estimativa dele, feita com uma porcentagem arredondada, e não um número que alguma das duas empresas publique. O argumento de Leff é que um pagamento desse tamanho dificilmente seria coberto só pelas taxas que as lojas pagam nas compras com cartão, e por isso ele aponta para os juros sobre o saldo que os clientes deixam em aberto. Quanto do pagamento os juros realmente cobrem, nenhuma das empresas diz.

Os cartões Delta pesam muito no negócio da American Express · Fatia dos cartões Delta entre os que a American Express emite no mundo, segundo seu relatório de 2025 · 13% · 21% · dos gastos com seus cartões em 2025 · do que seus clientes deviam no fim de 2025 · Um é o gasto de um ano, o outro o saldo
Fatia dos cartões Delta entre os que a American Express emite no mundo, segundo seu relatório de 2025

Quem decide quanto vale uma milha?

A Delta. Uma milha é uma unidade que a companhia cria sempre que quer vender uma, e as próprias regras do programa da Delta dizem que ela pode mudar a qualquer momento, sem aviso, o preço das passagens em milhas e outras condições, inclusive de maneiras que mudam o valor das milhas que as pessoas já têm. Poucas empresas podem imprimir a moeda com que são pagas e ainda definir a taxa de câmbio.

Mas essa moeda só vale alguma coisa porque se transforma em assentos. Em 2025, passagens emitidas com milhas responderam por 12% das milhas voadas por passageiros na Delta, cerca de 35 milhões de bilhetes, e as milhas trocadas por voos acrescentaram US$ 4,2 bilhões à receita de passageiros da Delta. Por isso não dá para separar com nitidez o dinheiro do cartão e a atividade de voar. O banco paga porque os aviões existem, e parte do que ele paga volta na forma de pessoas sentadas nos aviões.

Os credores também tratam o programa como algo sólido. No fim de 2025, a Delta devia cerca de US$ 4 bilhões em títulos de dívida e num empréstimo garantidos pelo SkyMiles. Seu relatório também inclui, na mesma rubrica de financiamentos garantidos por ativos do SkyMiles, títulos emitidos em Nova York para financiar instalações específicas, o que eleva essa rubrica a cerca de US$ 7,5 bilhões.

Não dá para separar o dinheiro do cartão dos voos · Como uma milha SkyMiles circula entre o banco, os titulares e a Delta · O banco compra milhas · Titulares ganham milhas · Milhas viram assentos · Assentos dão valor às milhas · A Amex paga à Delta pelas milhas · As milhas caem na conta a cada compr
Como uma milha SkyMiles circula entre o banco, os titulares e a Delta

Dá para comparar companhias aéreas pelo dinheiro do cartão?

Não de forma confiável. A American Airlines diz ter recebido US$ 6,2 bilhões em 2025 de cartões de crédito com sua marca e de outros parceiros, um número que também inclui redes de hotéis, locadoras de carros e lojas. Seu lucro operacional naquele ano foi de cerca de US$ 1,5 bilhão. A United divide o dinheiro do Chase, o banco parceiro do seu cartão, entre receita de passagens e outras receitas, conforme o que cada parte do acordo entrega, e as partes do seu relatório anual consultadas para este texto não mostram um total único do mesmo tipo. Cada companhia traça a linha num lugar diferente, então os números não podem ser postos lado a lado como se medissem a mesma coisa.

E tudo isso é a contabilidade de uma única companhia aérea, em um único ano. O acordo entre a Delta e a American Express vai até o fim de 2029, e o peso do cartão em relação ao lucro vai variar com o preço do combustível, as tarifas e a economia.

O que se mantém é o formato. Uma companhia aérea não é um banco, e vender assentos ainda é a maior parte do que ela faz. Mas o que um banco paga por milhas que a própria companhia cria e precifica é grande diante da fatia estreita que ela guarda no fim do ano. Quanto do lucro depende desse dinheiro, nenhum leitor de fora consegue medir. E as milhas só valem alguma coisa enquanto os aviões continuarem voando.

Como as companhias aéreas ganham dinheiro com milhas? O caso da DeltaA Delta é uma companhia aérea ou um programa de milhas com aviões?Receita ajustada · Passagens · Pagamentos da Amex · Lucro operacional · 58,3 · 45,5 · 8,2 · 5,8 · A Amex pagou à Delta mais que todo o lucro operacional da empresa · Delta, 2025, em bilhões de US$ · Receita e pagamentos são dinheiro que entra. Lucro operacional é o que sobra após todos os custos.O cartão não é maior que os voos, mas é grande diante da margem estreita da Delta. · Quanto do lucro depende desse dinheiro, nenhum leitor de fora consegue medir.O que a American Express compra da Delta, segundo o relatório da Delta · Sobretudo milhas, para titulares e para as recompensas da Amex · Bagagem grátis, salas VIP e embarque prioritário para titulares · Marketing conjunto · Direito de ofertar aos clientes da Delta · O direito de usar o nome DeltaA Delta imprime a moeda com que é paga e ainda define a taxa de câmbio. · As regras do programa permitem à Delta mudar sem aviso o preço das passagens em milhas, mesmo que isso altere o valor das milhas que as pessoas já têm.As milhas só valem alguma coisa enquanto os aviões continuarem voando. · Em 2025, cerca de 35 milhões de bilhetes da Delta foram emitidos com milhas.Fontes 7 : sec.gov · Delta Air Lines announces December quarter and full year 2025 financial results, sec.gov · Delta Air Lines 2025 Form 10-K, sec.gov · American Express 2025 Form 10-K + 4Leia na íntegra em · polora.ai

Do airlines make more money from credit cards than from flying?

Alpha · claude-sonnet-5

Does the headline question hold up? My read as Alpha I checked the manuscript's core numbers against Delta's own December-quarter/full-year 2025 release and the Amex 10-K, and the arithmetic is sound. The central numbers check out. Delta's full-year 2025 non-GAAP operating revenue was $58.3 billion with operating income of $5.8 billion, and separately American Express remuneration in 2025 grew 11 percent to $8.2 billion, driven by double-digit growth in co-brand spend in each quarter of the year. So the manuscript's $8.2B > $5.8B comparison is real and traceable to Delta's own press release, not a blogger's estimate. The 10-K itself frames this as a self-reported highlight, not something critics dug out: Delta's filing text states "remuneration from American Express totaled $8.2 billion, which we expect to grow to $10 billion over the next few" years. Where I'd push back on the manuscript's framing — the answer is still clearly "no," and the piece undersells how clearly "no" it is. Note the manuscript uses *adjusted* ($58.3B) revenue as the denominator for the 14% figure, but Delta's GAAP operating revenue was $63.4 billion, which the researcher's brief itself flags —…

Beta · gpt-6-sol

My verdict: the manuscript’s answer, “No,” stands—but two supporting claims need more than a qualification. Delta’s 2025 figures show that payments from American Express exceeded *Delta’s total operating profit*, not that credit cards earned more profit than flying. Delta does not disclose a separate profit figure for the partnership. Alpha is right to stress the revenue-versus-profit distinction, but the comparison is still useful if it is presented as a measure of scale, not a division of profit. (sec.gov) Here is what I found in the filings: | Manuscript claim | Check and necessary condition | |---|---| | $45.5 billion of tickets; roughly 78% of $58.3 billion adjusted revenue. | Supported: main-cabin ticket revenue was $23.391 billion and premium-ticket revenue $22.097 billion, totaling $45.488 billion. Delta’s adjusted operating revenue was $58.287 billion after excluding $5.077 billion of third-party refinery sales. The ratio is about 78%. These ticket lines do *not* include the separately reported $4.237 billion of loyalty travel awards. ([sec.gov](https://www.sec.gov/Ar…

Gamma · gemini-3.1-pro

My read as Gamma: Closing the loop on the manuscript's final claims and the economic reality. Alpha and Beta have thoroughly audited the SEC filings and the core revenue-versus-profit framing. I will focus on the remaining unverified claims—the blogger's math and the program rules—and then address the underlying economic premise the manuscript rests on. Here is what I found on the outstanding checks: The View from the Wing calculation *Claim: Gary Leff estimates the bank paid Delta roughly $38 for every $1,000 charged on Delta cards, based on $1,670 billion in total Amex billed business and a 13 percent Delta share.* * Supported: The arithmetic is sound and the attribution is correct. If Amex's total billed business is $1,670 billion, 13 percent of that yields an implied Delta card spend of $217.1 billion. Dividing Delta’s $8.2 billion remuneration by $217.1 billion equals approximately $0.0377 per dollar spent, or $37.77 per $1,000. The manuscript correctly identifies this as a derived estimate based on rounded percentages rather than a published corporate figure. (Source: https://viewfromthewing.com/amex-pays-delta-3-8-cents-per-dollar-charged-why-banks-pay-more…

Researcher · gemini-3-7-flash

Here is the verification of the claims in the manuscript, tested against official corporate filings, primary disclosures, and published terms: --- 1. Verification of Manuscript Claims | Claim / Section | Verification Status | Source & Nuance | | :--- | :--- | :--- | | Delta 2025 Ticket Revenue: Sold $45.5B in tickets (economy + premium), ~78% of $58.3B adjusted revenue (excluding refinery sales). | Supported | Source: Delta Air Lines 2025 Form 10-K & Earnings Release.<br>• Main cabin ($23,391M) + Premium ($22,097M) = $45,488M ($45.5B).<br>• Adjusted revenue of $58,287M excludes $5,077M in third-party refinery sales.<br>• Arithmetic holds: $45.488B / $58.287B = 78.0%. | | Amex Remuneration Ratios: Amex paid $8.2B (+11% YoY), ~14% of adjusted revenue, and ~1.4× the $5.8B operating profit. | Supported (with context) | Source: Delta 2025 10-K / Earnings Release.<br>• On adjusted revenue ($58…

The Arbiter · gpt-6-sol

The round has converged on a distinction the final answer must preserve: Delta receives substantial payments from American Express, but the filings do not show that credit cards earn more *profit* than flying. The $8.2 billion Amex figure is remuneration received in 2025; the $5.8 billion figure is Delta’s operating income after expenses. Comparing them shows scale, not which activity is more profitable. Alpha emphasized that thin airline margins make such a comparison less surprising; Beta emphasized that the partnership’s own profit is not separately disclosed. (sec.gov) What the participants established for the manuscript: - Tickets and the headline arithmetic: Alpha, Beta, and the Researcher agreed that Delta reported $45.488 billion in main-cabin and premium ticket revenue—about 78% of its $58.287 billion *adjusted* operating revenue. They also agreed that $8.2 billion in Amex remuneration was up 11%, amounted to about 14% of adjusted revenue, and was about 1.4 times operating income. Alpha and Beta noted the necessary second denominator: it was about 13% of GAAP revenue, not…

The Arbiter's Final Verdict · gpt-6-sol

No—not if “make more money” means revenue, and we can’t establish it if it means profit. Delta is a useful example. In 2025, it reported $45.5 billion in ticket revenue, compared with $8.2 billion in payments from American Express. Those payments were substantial—about 1.4 times Delta’s $5.8 billion operating profit—but that compares a payment received with profit *after expenses*. It does not show that cards were more profitable than flying. Delta does not separately disclose the profit from its Amex partnership. (Delta 2025 10-K; full-year results) The bank pays for miles as well as marketing rights and cardholder benefits. Some payments for miles become airline revenue only when those miles are redeemed for flights, so the card business and flying are intertwined. Other airlines disclose their partnerships differently, making a simple industry-wide ranking unreliable. The sound conclusion is that credit-card partnerships are hugely important to some airlines—not that airline…