As companhias aéreas ainda pagam a maior parte, mas nos Estados Unidos a diferença é pequena
A resposta curta é não, pelo menos nos totais. Os aeroportos do mundo obtiveram cerca de 54% da receita de 2024 com tarifas aeronáuticas. São as taxas que as companhias aéreas pagam para pousar, estacionar os aviões e usar os terminais com seus passageiros. Cerca de 37% vieram de tudo o mais que viajantes e empresas pagam num aeroporto. Aí entram o estacionamento e as lojas, mas também o aluguel de carros e os imóveis. Os 9% restantes foram receitas não operacionais, dinheiro que não vem da operação do aeroporto em si. Os números são do Airports Council International (ACI), a entidade internacional que reúne os aeroportos.
Nos Estados Unidos a diferença é menor. Todos os anos, os aeroportos americanos enviam suas contas à Administração Federal de Aviação (FAA), o órgão do governo que regula a aviação civil no país. A DWU Consulting, uma consultoria em finanças aeroportuárias, somou os 417 relatórios do ano fiscal de 2025 entregues até 21 de julho de 2026. Pela conta dela, são US$ 34,5 bilhões em receita operacional : US$ 19,3 bilhões vindos das companhias aéreas e US$ 15,2 bilhões de outras fontes. Uma proporção de cerca de 56 para 44. Essa é a soma feita pela DWU, não um número nacional definitivo. Os aeroportos podem corrigir seus relatórios, outros relatórios continuam chegando, e o painel da DWU já conta 424 aeroportos.
Os dois conjuntos de números não são medidos da mesma forma. O ACI inclui as receitas não operacionais no total, e os números americanos as deixam de fora. Por isso as porcentagens não devem ser postas lado a lado como se medissem a mesma coisa. As duas são também somas de muitos aeroportos. Mostram qual lado é maior no conjunto, não quantos aeroportos ficam de cada lado.

Nos Estados Unidos, o que mais rende fora das companhias aéreas é o estacionamento
A pergunta junta estacionamento e lojas, mas nos aeroportos americanos os dois estão muito longe um do outro. E, mesmo somados, são só uma parte do dinheiro que não vem das companhias aéreas. Numa apresentação de junho de 2026, o ACI calculou que o estacionamento respondeu por 43,2% das receitas não aeronáuticas na América do Norte em 2024. As lojas ficaram com 6,9%, e alimentação e bebidas com 7,6%. O ACI observou que em nenhuma outra região do mundo o estacionamento chega perto dessa fatia.
Os relatórios enviados à FAA mostram o mesmo em dólares. A DWU somou os relatórios de 445 aeroportos do ano fiscal de 2023. Dos US$ 13,216 bilhões que não vieram das companhias aéreas, US$ 6,015 bilhões vieram do estacionamento e do transporte terrestre, cerca de 45,5%. O transporte terrestre inclui taxas como as pagas pelos aplicativos de transporte. As locadoras de carros pagam aos aeroportos pelos balcões e pátios e somaram US$ 2,392 bilhões, ou 18,1%. As lojas dos terminais renderam US$ 0,764 bilhão, e restaurantes e cafés US$ 0,979 bilhão, juntos cerca de 13%. Os números mais recentes da DWU, do ano fiscal de 2025, colocam o estacionamento e o transporte terrestre em US$ 6,9 bilhões e as locadoras em US$ 2,5 bilhões, e a ordem continua a mesma.
Ou seja, o café e as compras no duty-free são uma fatia pequena. O dinheiro está em como você chega ao aeroporto, em onde deixa o carro e nas empresas que alugam um para você.

Em Detroit, as companhias aéreas pagam menos da metade
As médias escondem uma grande variação. A DWU também dividiu os números do ano fiscal de 2025 pelo porte dos aeroportos. Nos grandes, cerca de 59% da receita operacional veio das companhias aéreas, e nos médios, 50%. Nos pequenos foi o contrário : 58% da receita operacional veio de fontes que não as companhias aéreas. Por isso o número nacional diz pouco sobre qualquer aeroporto em particular.
O Aeroporto Metropolitano de Detroit, no condado de Wayne, é um caso com nome e sobrenome. Nas contas auditadas do ano encerrado em 31 de dezembro de 2025, a Wayne County Airport Authority, que administra o aeroporto, declarou US$ 476,8 milhões em receita operacional. Desse total, as companhias aéreas pagaram US$ 208,3 milhões, cerca de 44%, e US$ 268,5 milhões vieram de outras fontes. As tarifas de estacionamento renderam US$ 108,0 milhões, contra US$ 14,1 milhões do varejo no aeroporto de Detroit. O número do estacionamento cobre toda a autoridade, que também administra o aeroporto de Willow Run, então não se refere só ao aeroporto de Detroit.
O que vale para um aeroporto não vale para todos. Detroit aparece aqui porque deixa o padrão fácil de ver, não porque seja típico.

Em Heathrow, as lojas rendem mais que o estacionamento
Heathrow, em Londres, é um aeroporto privado. Um órgão regulador, a Autoridade de Aviação Civil britânica, fixa o máximo que ele pode cobrar das companhias aéreas. Em 2025, Heathrow declarou £ 3.623 milhões em receita, e £ 2.258 milhões disso, cerca de 62%, vieram das tarifas cobradas das companhias aéreas.
Heathrow apresenta uma linha chamada "varejo" no valor de £ 791 milhões, mas essa linha inclui o estacionamento. Dentro dela, o estacionamento rendeu £ 197 milhões, cerca de 5% de toda a receita, e as concessões de lojas £ 293 milhões. Neste aeroporto, as lojas rendem mais que o estacionamento. Heathrow reagrupou essas linhas de varejo no relatório de 2025, por isso elas não batem com os números de anos anteriores na forma em que foram publicados originalmente.
Quem é dono de um aeroporto e quem limita seus preços mudam a cara das suas contas. É mais um motivo pelo qual nenhuma resposta única serve para todos os aeroportos.

Por que o que você paga no estacionamento pode reduzir a conta das companhias aéreas
Muitos grandes aeroportos americanos pertencem a cidades, condados ou autoridades públicas, como a Wayne County Airport Authority em Detroit. Eles definem quanto as companhias aéreas pagam por meio de contratos longos, os acordos de uso firmados com elas. E o modo como cada contrato trata o dinheiro que não vem das companhias aéreas faz diferença.
Num acordo do tipo residual, o aeroporto soma seus custos. Depois desconta o que ganhou com estacionamento, locadoras de carros, lojas e todo o resto, e cobra a diferença das companhias aéreas. Cada dólar a mais vindo do estacionamento reduz a conta das companhias. Em troca, elas garantem que os custos do aeroporto serão cobertos. O próprio relatório auditado de Detroit descreve esse cálculo, e a DWU inclui Detroit, Chicago O'Hare e São Francisco entre os aeroportos que funcionam assim.
Num acordo do tipo compensatório, as companhias aéreas pagam pelo espaço e pelas instalações que usam, e o aeroporto fica com o que ganha em outras fontes. A DWU inclui o JFK, de Nova York, e Boston entre esses. Muitos grandes aeroportos, como Los Angeles, Denver e Atlanta, usam modelos híbridos que misturam os dois, muitas vezes repartindo com as companhias aéreas parte do dinheiro que não vem delas. Essas são as classificações atuais da DWU, e podem mudar quando um acordo é renovado.
Num aeroporto com acordo residual, portanto, o dinheiro do estacionamento e das lojas reduz o que é cobrado das companhias aéreas. Com isso, a fatia das companhias nas contas desse aeroporto fica menor do que seria de outro modo. Ainda não se mediu quanto isso pesa nos totais nacionais.

O que lembrar da próxima vez que pagar o estacionamento do aeroporto
Nos aeroportos do mundo e na soma dos aeroportos americanos, as companhias aéreas ainda pagam a maior parte, embora não em todos os aeroportos. Os aeroportos dos Estados Unidos recebem quase metade da receita operacional de outras fontes. A maior fatia isolada é a do estacionamento e do transporte terrestre, não a das lojas. Nos aeroportos com acordos residuais, esse dinheiro entra no cálculo do valor cobrado das companhias aéreas.
Os aeroportos acompanham de perto a receita do estacionamento porque ela muda junto com os hábitos de viagem. É por isso que as taxas sobre o embarque e o desembarque de passageiros na calçada agora são discutidas junto com o estacionamento. Em Dallas Fort Worth, no ano fiscal de 2024, os números da DWU colocam as taxas dos aplicativos de transporte em US$ 39,0 milhões, contra US$ 209,4 milhões do estacionamento. Esses números vêm da análise da DWU, não do relatório do próprio aeroporto.







