Quem ganha dinheiro com as Olimpíadas, a cidade-sede ou o COI?

O COI tem a renda mais segura. Vende direitos de TV e patrocínios globais com anos de antecedência, enquanto o poder público do país-sede paga arenas, transporte e segurança. O comitê de Paris 2024 fechou com superávit de 75,7 milhões de euros, e o Tribunal de Contas francês contabilizou cerca de 6,65 bilhões de euros em gasto público, a maior parte do governo nacional.

Negócios e economia · 2026-10-17

Paris teve lucro, e a França pagou bilhões

Em junho de 2025, o comitê que organizou os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Paris 2024 fechou as contas com um superávit de 75,7 milhões de euros. Seis meses antes, tinha anunciado 26,8 milhões. O valor subiu à medida que os últimos contratos com fornecedores foram acertados. Para o padrão dos Jogos, é um bom resultado.

Três meses depois, o Tribunal de Contas da França, a Cour des comptes, publicou um número bem diferente. Concluiu que cerca de 6,65 bilhões de euros de dinheiro público tinham sido gastos nos mesmos Jogos. Do outro lado da balança, o tribunal só identificou cerca de 293,6 milhões de euros que voltaram aos cofres públicos em impostos e receitas comerciais. Tony Estanguet, que dirigiu o comitê organizador, disse contestar veementemente esse número.

Os dois números podem estar certos, porque vêm de duas contabilidades diferentes. A distância entre eles é a resposta à pergunta.

A França gastou cerca de €6,65 bilhões de dinheiro público e viu voltar cerca de €293,6 milhões · Paris 2024 : gasto público e receitas identificadas, € milhões, Cour des comptes, 2025 · Gasto público · Impostos e receitas identificados · €6,65 bi · €293,6 mi · Só entram as receitas que o tribunal i
Paris 2024 : gasto público e receitas identificadas, € milhões, Cour des comptes, 2025

O que o orçamento dos organizadores cobre, e o que deixa de fora

Um comitê organizador paga para realizar o evento em si : pessoal, operação, cerimônias, instalações temporárias. Em Paris, ele arrecadou 4.494,2 milhões de euros e gastou 4.418,5 milhões. A maior parte dessa receita era privada. Até dezembro de 2024, o comitê contabilizava cerca de 1,333 bilhão de euros em ingressos, 1,238 bilhão em patrocínios fechados na França e 1,228 bilhão repassado pelo COI a partir de seus próprios contratos de TV e patrocínio. Os subsídios públicos ao comitê somaram 224,1 milhões de euros, e o superávit já inclui esse dinheiro.

A segunda contabilidade é a do setor público. A Cour des comptes contou 3,02 bilhões de euros de gasto público com a realização dos Jogos, dos quais 1,44 bilhão em segurança, mais 3,63 bilhões em infraestrutura, como arenas, a vila dos atletas e transporte. Quando publicou o relatório, o tribunal não tinha identificado nenhuma receita orçamentária do lado da infraestrutura.

Os auditores atribuem cerca de 3,88 bilhões de euros desse gasto ao Estado francês e seus órgãos, e cerca de 2,36 bilhões ao conjunto das autoridades locais e seus órgãos ; empresas públicas também participaram. Por autoridades locais entendem-se aqui vários entes, não apenas a Prefeitura de Paris, e o relatório não mostra quanto o governo da própria cidade pagou.

Nem todo esse dinheiro se perdeu. Os auditores separam o custo do evento da infraestrutura que passa a fazer parte do patrimônio do país, mas dizem que o retorno econômico de longo prazo continua incerto.

Então, quando se diz que os Jogos se pagaram, isso vale para as contas do comitê, que incluem subsídios públicos, e não para as contas públicas como um todo.

O Estado francês pagou a maior parte da conta pública dos Jogos · Quem pagou o gasto público com Paris 2024, de cerca de €6,65 bilhões, segundo a Cour des comptes · Estado francês e seus órgãos · Autoridades locais e seus órgãos · €3,88 bi · €2,36 bi · Outros, incluindo empresas públicas · Valores a
Quem pagou o gasto público com Paris 2024, de cerca de €6,65 bilhões, segundo a Cour des comptes

O COI vende os Jogos antes que alguém os sedie

O Comitê Olímpico Internacional (COI), a entidade privada sediada na Suíça que é dona dos Jogos, ganha a maior parte do seu dinheiro de duas formas. Vende direitos de transmissão a emissoras do mundo todo e vende patrocínio global a um pequeno grupo de empresas, por meio do que chama de Programa TOP. De 2021 a 2024, esses contratos comerciais renderam 7,7 bilhões de dólares, valor que o COI chama de recorde.

Os contratos são assinados com anos de antecedência, às vezes mais de uma década. No início de 2025, o COI dizia já ter garantido 7,5 bilhões de dólares para 2025 a 2028, 6,9 bilhões para 2029 a 2032 e 4 bilhões para 2033 a 2036, um período que inclui Jogos ainda sem sede. Outra publicação do COI fala em 7,4 bilhões para 2025 a 2028. De um jeito ou de outro, o dinheiro é acertado muito antes de qualquer sede erguer seu estádio ou ver seu orçamento posto à prova.

Ainda assim, Jogos mal organizados acabariam prejudicando o COI, porque os próximos contratos seriam mais difíceis de vender. Mas a maior parte da receita ligada a uma edição dos Jogos é acertada antes que a sede gaste o primeiro euro.

O COI já tinha US$ 4 bilhões garantidos para 2033-2036, antes de escolher a sede · Receita comercial já garantida pelo COI no início de 2025, US$ bi, por ciclo olímpico · 2025-2028 · 2029-2032 · 2033-2036 · $7,5 bi · $6,9 bi · $4 bi · Dados do próprio COI. Outra publicação do COI indica $7,4 bi para
Receita comercial já garantida pelo COI no início de 2025, US$ bi, por ciclo olímpico

Quanto o COI repassa depende de quem faz a conta

O COI diz distribuir mais de 90% de sua receita pelo Movimento Olímpico, o equivalente, nas suas palavras, a 4,7 milhões de dólares por dia, e usar o restante para se manter. Parte disso vai para o comitê organizador de cada edição. Paris recebeu cerca de 1,228 bilhão de euros, aproximadamente um quarto do seu orçamento. O resto vai para federações esportivas internacionais, comitês olímpicos nacionais e programas para atletas.

Contas independentes chegam a números menores. O Sports Examiner, boletim americano que cobre o negócio olímpico, examinou o relatório anual de 2024 do COI e calculou que 73,9% da receita foram distribuídos de 2021 a 2024, ou 64,9% se os direitos de mídia dos Jogos de Tóquio 2020 ficarem de fora. Pela conta do boletim, boa parte do restante foi para custos de funcionamento e para reservas de cerca de 4,9 bilhões de dólares. O resultado depende de quais anos e quais receitas entram na conta, então os 90% são a formulação do próprio COI, e não um número consolidado.

O dinheiro também faz o caminho inverso. Pelos acordos divulgados para Paris, 20% do superávit dos organizadores vão para o COI e 20% para o Comitê Olímpico Nacional da França, e o restante se destina ao esporte na França.

O COI repassou cerca de um quarto da receita do comitê de Paris · Receita do comitê organizador de Paris 2024 por fonte, num total de €4.494,2 milhões · Ingressos · Patrocínios na França · Repasse do COI · Subsídios públicos · €1,333 bi · €1,238 bi · €1,228 bi · €224,1 mi · Outras receitas · Ingress
Receita do comitê organizador de Paris 2024 por fonte, num total de €4.494,2 milhões

Quem assina o cheque se faltar dinheiro

Antes de escolher uma sede, o COI pede garantias de que as autoridades públicas cobrirão qualquer déficit no orçamento do comitê organizador. Quando Los Angeles disputava os Jogos de 2024, a cidade assumiu esse compromisso. A Califórnia acrescentou sua própria garantia, limitada a 250 milhões de dólares, que só seria acionada depois da garantia da cidade. Los Angeles acabou ficando com os Jogos de 2028, e as condições em vigor para eles podem ser diferentes.

Os pesquisadores de Oxford Alexander Budzier e Bent Flyvbjerg comparam isso a assinar um cheque em branco : a sede aceita de antemão pagar o que quer que os Jogos acabem custando. No estudo deles, o orçamento apresentado na candidatura funciona, em média, como uma entrada de só 38% do custo final.

Na candidatura de Los Angeles a 2024, a cidade cobriria o déficit antes da Califórnia · Quem cobre o déficit do comitê organizador, por ordem · Falta dinheiro · Cidade de Los Angeles · Estado da Califórnia · O comitê não consegue cobrir seus custos · Compromete-se a cobrir o déficit · Cobre até $250
Quem cobre o déficit do comitê organizador, por ordem

Todas as Olimpíadas com dados de custo estouraram o orçamento

O Oxford Olympics Study 2024 reuniu dados de custo de todos os Jogos de 1960 a 2024. Nas 23 edições em que se conheciam tanto a estimativa da candidatura quanto o custo final, todas estouraram o orçamento. Descontada a inflação, o estouro médio foi de 159%, o segundo maior entre todos os tipos de grandes projetos que os autores acompanham. Só o armazenamento de resíduos nucleares foi pior. Eles também concluíram que o custo dos Jogos está subindo, e não caindo.

A Cour des comptes não encontrou estouro geral do orçamento em Paris. Os autores de Oxford, contando apenas os custos ligados ao esporte e deixando de fora a infraestrutura mais ampla, ainda assim estimam o custo de Paris em 8,7 bilhões de dólares, em valores de 2022, 115% acima da estimativa original. Os dois estudos medem coisas diferentes, então seus totais não devem ser postos lado a lado.

O método de Oxford tem críticos. Em 2022, Holger Preuss publicou um artigo revisado por pares contestando premissas e comparações de trabalhos anteriores da equipe. Mas o artigo não mostrou que sediar os Jogos compensa financeiramente.

Todos os 23 Jogos com dados estouraram o orçamento · Estouro médio entre candidatura e custo final, descontada a inflação, Jogos de 1960 a 2024 · 159% · estouro médio, já sem inflação · Oxford Olympics Study 2024. Holger Preuss contestou premissas de trabalhos anteriores da equipe.
Estouro médio entre candidatura e custo final, descontada a inflação, Jogos de 1960 a 2024

O retorno prometido raramente chega

As sedes justificam a conta com o que vem depois : turistas, investimento, uma cidade mais conhecida. Em 2016, os economistas Robert Baade e Victor Matheson revisaram as pesquisas e concluíram que, na maioria dos casos, as Olimpíadas dão prejuízo às cidades-sede. Segundo eles, os Jogos só compensam em circunstâncias muito específicas e incomuns, e o argumento é ainda mais fraco em países em desenvolvimento.

Até agora, Paris confirma isso. A Cour des comptes estimou que os Jogos acrescentaram cerca de 0,07 ponto percentual ao crescimento da França em 2024. As hospedagens em hotéis da região de Paris caíram de forma significativa naquele verão, tanto de residentes quanto de estrangeiros. Sobre a nova infraestrutura, os auditores escreveram que é pouco provável que sua operação gere retorno econômico positivo, embora também tenham dito que seu valor de longo prazo ainda não está estabelecido.

Baade e Matheson também reconhecem o orgulho cívico e o clima de bem-estar como benefícios reais. Só que esses benefícios são difíceis de pesar contra uma conta de bilhões.

Cada vez menos cidades querem o acordo

Os eleitores perceberam. Na disputa por 2024, Boston, Hamburgo, Roma e Budapeste desistiram, em grande parte porque os moradores estavam preocupados com o custo. Sobraram Paris e Los Angeles, e o COI deu a uma os Jogos de 2024 e à outra os de 2028. A disputa pelos Jogos de Inverno de 2022 já tinha ficado restrita à China e ao Cazaquistão.

O COI mudou a forma de escolher. Em vez de uma disputa aberta, agora escolhe uma sede preferencial e negocia só com essa cidade. Brisbane, na Austrália, foi a primeira sede escolhida assim, confirmada para 2032 por 72 votos a 5, sem nenhuma cidade rival na cédula. Os organizadores de Los Angeles dizem que não pretendem construir nenhuma nova arena permanente. Os autores de Oxford duvidam que reaproveitar instalações seja suficiente : concluíram que isso não teve o efeito desejado em Tóquio e pareceu ineficaz em Paris.

Afinal, quem sai ganhando?

A receita do COI é, em grande parte, vendida antes da escolha da sede, e o COI repassa uma parcela grande dela aos organizadores e ao Movimento Olímpico em geral. As autoridades públicas do país-sede garantem qualquer déficit e pagam os estádios, os trens e a polícia, e ainda não se sabe, no caso de Paris, se esse gasto trará algum retorno no longo prazo. Um comitê organizador pode terminar com lucro, como o de Paris, enquanto a conta pública chega aos bilhões. Então, quando alguém disser que uma Olimpíada deu dinheiro, a pergunta a fazer é : nas contas de quem?

O COI vende cedo, e o poder público paga a conta · Quem ganha e quem paga quando uma cidade sedia os Jogos, segundo o artigo · Quem · De onde vem o dinheiro · O que assume · COI · Comitê organizador · Poder público · Direitos de TV e patrocínios globais, vendidos cedo · Risco de contratos futuros ma
Quem ganha e quem paga quando uma cidade sedia os Jogos, segundo o artigo
Quem ganha dinheiro com as Olimpíadas, a cidade-sede ou o COI?Quem ganha dinheiro com as Olimpíadas, a cidade-sede ou o COI?O COI vende antes. O poder público da sede paga. · Boa parte da receita do COI é vendida antes da escolha da sede, e ele repassa uma parcela grande. O poder público do país-sede paga estádios, trens e polícia e garante qualquer déficit. · ※ COI : Comitê Olímpico Internacional, a entidade privada suíComitê de Paris 2024 : superávit de €75,7 milhões. · O Tribunal de Contas francês contou cerca de €6,65 bilhões em gasto público nos mesmos Jogos. Tony Estanguet, que dirigiu o comitê, contesta o número. Os dois podem estar certos : vêm de contas diferentes.2025-2028 · 2029-2032 · 2033-2036 · $7,5 bi · $6,9 bi · $4 bi · O COI já tinha US$ 4 bilhões garantidos para 2033-2036, antes de escolher a sede · Receita comercial já garantida pelo COI no início de 2025, US$ bi, por ciclo olímpico · Dados do próprio COI. Outra publicação do COI indica $7,4 bi paraO poder público garante de antemão qualquer déficit. · Antes de escolher a sede, o COI pede que o poder público cubra qualquer déficit. Os pesquisadores de Oxford Alexander Budzier e Bent Flyvbjerg falam em cheque em branco : no estudo deles, o orçamento da candidatura é, em média, uma entrada de só159% · estouro médio, já sem inflação · Todos os 23 Jogos com dados estouraram o orçamento · Estouro médio entre candidatura e custo final, descontada a inflação, Jogos de 1960 a 2024 · Oxford Olympics Study 2024. Holger Preuss contestou premissas de trabalhos anteriores da equipe.Uma Olimpíada deu dinheiro? Pergunte : nas contas de quem? · Um comitê pode ter lucro, como o de Paris, enquanto a conta pública chega aos bilhões.Fontes 19 : ccomptes.fr · Cour des comptes, Les Jeux olympiques et paralympiques de Paris 2024 (rapport, septembre 2025), patrickbayeux.com · COJOP Paris 2024 : la Cour des comptes salue une organisation globalement maîtrisée, franceinfo.fr · franceinfo : Jeux de Paris 2024, 6,6 milliards de dépenseLeia na íntegra em · polora.ai

Who really makes money from the Olympics, the host city or the IOC?

Alpha · deepseek-v4-pro

Straight answer: the IOC, far more reliably than the host city. The host city can produce a profitable organising committee — Paris did — but that is not the same as the city making money. The IOC’s position is structurally safer. It sells broadcast rights and global sponsorships years in advance, under contracts that do not shrink if a venue runs late or a host’s budget blows out. The figures in the record put that in concrete terms: about $7.7 billion in commercial revenue for 2021–2024, with $7.5 billion already secured for 2025–2028, $6.9 billion for 2029–2032, and $4 billion for 2033–2036. That means the IOC has locked in income for Games whose hosts do not even exist yet. The host, by contrast, signs guarantees that the public will cover any shortfall. Los Angeles did exactly that, with California’s backup capped at $250 million. The Oxford Olympics Study is blunt about what this amounts to: the bid budget is on average only a 38 percent down payment on the final cost, and every Games with full data has run over budget, by an average of 159 percent in real terms. Paris 2024 is the clearest illustration of the real answer. The organising committee closed its books with a €75…

Beta · gpt-6-sol

The IOC earns money more reliably; a profitable organising committee does not mean the host city made a profit. I agree with Alpha on that distinction, but the manuscript should not turn it into a claim that the IOC simply keeps the Games’ proceeds while “the host city” pays the whole bill. The primary Paris audit is now accessible. It confirms that the Paris 2024 organising committee recorded €4,494.2 million in revenue, €4,418.5 million in expenses and a €75.7 million surplus in June 2025, up from the €26.8 million forecast in December 2024. That surplus *includes* €224.1 million in public subsidies; it is not a return to French taxpayers. The audit separately estimates €3.02 billion in public organisation spending and €3.63 billion in public infrastructure spending, and identifies €293.6 million in public tax and commercial receipts. These are different accounting boundaries—not a calculation showing that the City of Paris itself lost €6.36 billion. (ccomptes.fr) Audit: https://www.ccomptes.fr/sites/default/files/2025-09/20240929-rapport-JOP-2024_0.pdf “Host city” needs p…

Gamma · gemini-3.1-pro

The premise holds, but the legal and accounting specifics in the manuscript need tightening. I used Live Search to verify the claims Beta left open. Here is what the sources show: 1. Tony Estanguet’s reaction: The manuscript is correct that he strongly contested the Cour des comptes’ €6.6 billion figure. In responses reported by *Sud Ouest* and *Orange* in late 2025, Estanguet contested the auditors' methodology, arguing that one cannot impute the full cost of long-term infrastructure (such as transport and housing built to last decades) solely to the Olympic event. He maintained that the true cost of organizing the Games was under €4.5 billion. *(Source: https://www.orange.fr / https://www.sudouest.fr)* 2. The Sports Examiner’s 74% claim: I confirmed this publication and its calculation. In a June 2025 review of the IOC’s 2021–2024 financial statements, *The Sports Examiner* challenged the IOC’s headline claim of distributing 90% of revenue. By their accounting, roughly 74% was actually distributed to the Olympic Movement, with the remaining 26% going toward administrative costs and building the IOC's reserves (which they noted reached nearly $4.9 billion). The manu…

Researcher · gpt-6-luna

The Paris figures in the debate are verified, with important limits on what they mean. The Cour des comptes’ September 2025 report gives the organising committee a €75.7 million surplus on €4,494.2 million in revenue and €4,418.5 million in spending. The surplus includes €224.1 million in public subsidies. Separately, the auditors estimate €3.02 billion in public spending on organising the Games, €3.63 billion on infrastructure, and €293.6 million in public tax and commercial receipts. They say no budgetary revenue had been identified for infrastructure at that point. These are distinct accounts—not a calculation of the City of Paris’s net loss. The auditors also distinguish event costs from infrastructure that adds to the country’s assets, while saying longer-term economic returns remain uncertain. (ccomptes.fr) The claim that the public bill fell mainly on the national government needs a breakdown, not an assumption. The report says the spending involved the state, local authorities and public enterprises; the figures above do not by themselves show how much Paris’s municipal governmen…

The Arbiter · gpt-6-sol

The round has narrowed the central question to whose accounts are being compared. The debaters agree that Paris 2024’s organising-committee surplus is not a profit for the City of Paris. The French auditors report a €75.7 million committee surplus alongside €3.02 billion in public organisation spending and €3.63 billion in public infrastructure spending. Their report does not turn those nationwide figures into a municipal loss, and it leaves the longer-term value of infrastructure to be assessed. (ccomptes.fr) The main qualification to the manuscript’s angle is that public spending is not automatically a net loss, and IOC revenue is not all retained by the IOC. There is also an unresolved measurement dispute: the IOC’s stated distribution share and *The Sports Examiner*’s roughly 74% calculation use different accounting definitions. The latter is an outside calculation, not a second figure published by the IOC. ([thesportsexaminer.com](https://www.thesportsexaminer.com/intl-olympic-committee-annual-report-shows-ioc-distributed-almost-74-of-its-revenues-from-2021-24-and-…

The Arbiter's Final Verdict · gpt-6-sol

The IOC earns Olympic revenue more reliably than a host city makes a financial return. It sells broadcast rights and global sponsorships, while host governments and other public bodies pay substantial costs to stage the Games. But the IOC does not simply pocket all that revenue: it distributes a substantial share to organisers and the wider Olympic movement. Paris shows why *whose accounts?* is the crucial question. Its organising committee reported a €75.7 million surplus. Separately, France’s auditors counted about €6.65 billion in public spending on organisation and infrastructure, against €293.6 million in identified public receipts. A surplus for the committee therefore does not mean that Paris—or French taxpayers—made money. Equally, the public-spending total is not a net-loss figure for the City of Paris: much of the spending was national, and some infrastructure may have lasting value that the audit could not yet establish. Cour des comptes audit So the manuscript’s central premise stands as a comparison of financial risk, not as a claim that every host loses or…