O que está sendo medido
Os números vêm do GISTEMP, a estimativa da NASA para a temperatura média da superfície da Terra. Ele junta as leituras de dezenas de milhares de estações meteorológicas em terra com a temperatura da superfície do mar, medida por navios e boias. O GISTEMP não dá a temperatura em si. Dá uma anomalia, em graus, ou seja, quanto um mês foi mais quente ou mais frio do que a média de 1951 a 1980 para esse mesmo mês do calendário.
É isso que permite comparar os meses de forma justa. No planeta como um todo, julho e agosto são em média cerca de 3,6 °C (6,5 °F) mais quentes do que dezembro e janeiro, segundo as perguntas frequentes da NASA. Por isso, um janeiro recorde é um janeiro muito mais quente do que os janeiros anteriores, e não um janeiro mais quente do que um julho. Todos os recordes mensais deste texto comparam um mês apenas com o mesmo mês de outros anos.
Meses acima da média, sem interrupção
O último ano completo mais frio do que a média de 1951 a 1980 foi 1976. O último mês mais frio foi setembro de 1992, e por muito pouco, 0,01 °C abaixo. De outubro de 1992 a setembro de 2026, o mês mais recente nos dados, todos os 408 meses ficaram acima dessa média.

2023, o ano do salto
As temperaturas vinham subindo, de forma irregular, havia décadas. Em 2023, deram um salto. A média anual passou de 0,89 °C acima da referência em 2022 para 1,17 °C em 2023. Essa alta de 0,28 °C em um único ano deixou 2023 bem acima dos anos mais quentes até então, 2016 e 2020, empatados em 1,01 °C.
Alguns meses saltaram ainda mais. Setembro de 2023 ficou 1,48 °C acima da sua referência e superou o recorde anterior de setembro, de 2020, por 0,52 °C. É a maior margem entre todos os meses.
O comunicado da NASA de janeiro de 2025 sobre o recorde aponta dois fatores, sem dizer quanto do salto cada um explica. Os cientistas concluíram que os gases de efeito estufa, sobretudo o dióxido de carbono e o metano, são o que move o aquecimento de longo prazo. E o forte El Niño iniciado no outono de 2023 no Hemisfério Norte, um aquecimento natural do Pacífico tropical, ajudou a empurrar as temperaturas globais acima dos recordes anteriores, nas palavras do comunicado. O mesmo texto acrescenta que o calor continuou acima do esperado em 2024, mesmo depois que o El Niño perdeu força. Diz ainda que os pesquisadores seguem examinando outros fatores possíveis, entre eles a erupção vulcânica de Tonga em 2022 e a redução da poluição do ar, que pode alterar a cobertura de nuvens e a quantidade de luz solar refletida de volta ao espaço.

Doze meses, quatro anos de recorde
Veja onde está hoje o recorde de cada mês. Setembro, novembro e dezembro bateram os seus em 2023. Fevereiro, março, abril, maio e junho, em 2024. O de janeiro veio em 2025, e os de julho e agosto em 2026, com 1,24 °C e 1,42 °C. Em outubro há empate : 2023 e 2024 marcam 1,34 °C, considerando as duas casas decimais dos dados.
Quão sólidos são esses recordes? Há duas perguntas diferentes.
A primeira é se o recorde de cada mês está mesmo em 2023 ou depois. Em dez dos 12 meses, o maior valor de 2023 em diante supera o maior de qualquer ano anterior por 0,17 °C a 0,52 °C. Fevereiro e março são as exceções. Seus recordes de 2024 superam 2016 por apenas 0,07 °C e 0,04 °C. As perguntas frequentes da NASA indicam que o valor global de um único mês tem uma incerteza de aproximadamente ±0,17 °C. Esse número vale para um valor isolado, e não para a diferença entre dois, mas é motivo para tratar esses dois casos como disputas apertadas.
A segunda é qual ano recente detém cada recorde, e aí as margens são bem menores. Observe o segundo colocado de cada mês, o valor mais alto logo abaixo do recorde (no caso de outubro, abaixo do empate entre 2023 e 2024). Em 11 dos 12 meses, esse segundo colocado é outro ano de 2023 em diante, e nenhum recorde fica à frente dele por mais de 0,16 °C. Julho de 2026, por exemplo, superou julho de 2024 por 0,04 °C, e maio de 2024 superou maio de 2026 por 0,03 °C.

Os anos mais quentes
Pela média do ano inteiro, os 12 anos mais quentes são exatamente os últimos 12 completos, de 2014 a 2025. O mais quente é 2024, com 1,28 °C (2,3 °F) acima da média de 1951 a 1980. Em seguida vêm 2025, com 1,18 °C, e 2023, com 1,17 °C. Essa diferença de 0,01 °C é muito menor do que a incerteza de cerca de ±0,05 °C que as perguntas frequentes da NASA atribuem ao valor de um único ano depois de 1960, então não convém se apoiar na ordem entre os dois.
2026 ainda não terminou e por isso não entra na classificação. Para comparar o que é comparável, considere apenas o período de janeiro a setembro. Nesses nove meses, 2026 teve média de 1,23 °C, abaixo dos 1,28 °C de 2024 e acima dos 1,20 °C de 2025.
A referência de 1951 a 1980 não é o período pré-industrial. No mesmo comunicado de janeiro de 2025, a NASA estimou que 2024 foi cerca de 1,47 °C mais quente do que a média de 1850 a 1900, a referência normalmente usada quando se fala da meta de longo prazo de 1,5 °C do Acordo de Paris. A NASA classifica esse número como uma estimativa. Ele é mais incerto do que os valores medidos em relação ao período de 1951 a 1980.

Quão firmes são estes números
São estimativas, não leituras isoladas de um único termômetro. A NASA atualiza a série todos os meses. Dados que chegam atrasados e correções podem alterar levemente os meses anteriores, então os valores de 2026, e com eles os recordes de julho e agosto, ainda podem mudar um pouco. Outros grupos que acompanham a temperatura global, como a NOAA, agência americana para oceanos e atmosfera, o Berkeley Earth, o Centro Hadley do serviço meteorológico britânico (Met Office) e o serviço europeu Copernicus, usam boa parte dos mesmos dados brutos, mas com métodos diferentes. Todos concordaram que 2024 foi o ano mais quente. Este texto não comparou as classificações mês a mês desses grupos com as da NASA.
Os valores vêm da série publicada pela NASA. As comparações, classificações e margens foram calculadas pela Polora a partir desses valores.
- [NASA GISS, GISS Surface Temperature Analysis (GISTEMP v4), global land-ocean monthly means, accessed 2026-10-21; Lenssen et al. 2024, J. Geophys. Res. Atmos., doi:10.1029/2023JD040179]
- [NASA GISS, GISTEMP v4 overview and citation page]
- [NASA GISS, GISTEMP frequently asked questions]
- [NASA, "Temperatures Rising: NASA Confirms 2024 Warmest Year on Record," January 10, 2025]








![Fontes 4 : data.giss.nasa.gov · [NASA GISS, GISS Surface Temperature Analysis (GISTEMP v4), global land-ocean monthly means, accessed 2026-10-21; Lenssen et al. 2024, J. Geophys. Res. Atmos., doi:10.1029/2023JD040179], data.giss.nasa.gov · [NASA GISS, GISTEMP v4 overview and citation page], data.gis](https://media.cdn.polora.ai/picks/2026/10/pickrun_fc7739d587b5405b/IVB619VApt4bxI-3-slide-08--os-recordes-de-calor.jpg)
